







Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”
Florbela Espanca




As around the sun the earth knows she’s revolving
And the rosebuds know to bloom in early May
Just as hate knows love’s the cure
You can rest your mind assure
That I’ll be loving you always
As now can’t reveal the mystery of tomorrow
But in passing will grow older every day
Just as all is born is new
Do know what I say is true
That I’ll be loving you always
Until the rainbow burns the stars out in the sky—ALWAYS
Until the ocean covers every mountain high—ALWAYS
Until the dolphin flies and parrots live at sea—ALWAYS
Until we dream of life and life becomes a dream





Hoje eu pensei nisso, com naturalidade, ao escrever sobre tecnologia no blog de um amigo, desses que nunca o vimos, feitos pela Internet.
O meu compadre, padrinho do meu primogénito, um dia disse, de forma brilhante, uma coisa que hoje está acontecendo cada vez mais rápido. E o disse em forma de poema. Milton Nascimento musicou e cantou, mais uma vez, com maestria.
Ele disse assim:
Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Ronaldo Bastos
E o amanhã, nos dias que correm, é cada vez mais próximo, quase hoje. Será um dia ontem? Talvez, mas eu também sei que nada será como antes, amanhã.
PS: Sobre o meu compadre uma coisa interessante que uma portuguesa ilustre um dia disse. Uma dia (uma noite pra ser mais preciso) ele me apresentou a ela, no balcão de chopp da Pizzaria Guanabara, no Baixo Leblon, como a sua namorada portuguêsa. Não fazia idéia de quem ela era e acho que só hoje associei. Muitas canções cantadas por ela depois…




Por vezes eles dizem e até mesmo mostram com simplicidade, porque são geniais. Neste caso é mesmo simples de entender. Mas de executar …




Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha
Quem me dera
Ao menos uma vez
Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira
Que se cortava sempre
Um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda
Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.
Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.
E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes…
Quem me dera
Ao menos uma vez
Fazer com que o mundo
Saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz
Ao menos, obrigado.
Quem me dera
Ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado
Por ser inocente.
Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.
E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.




Um inglês, John McLaughlin, e um espanhol, Paco de Lucia, tocando a fabulosa música de um brasileiro, Egberto Gismonti.
Só o Egberto mesmo para me lavar a alma de tanta estupidez. Estou novamente feliz. Sempre que quero me esquecer de como as coisas são, ouço Egberto Gismonti para verificar que afinal existem alternativas belas e inteligentes.




Por que o sonho terminava
Quando o dia amanhecia
No espelho
Vinha um medo desse gosto morto do passado
Mergulhado na memória
Eu não queria que a vida findasse no abismo desse quarto
Amargando amargurada solidão
Por que a hora se esvazia
Na memória do espelho
Como um fado
Teço o fio do meu sonho cheio de mistério
Um rosário de silêncio
E a minha boca fechada com medo das sombras desses anjos
Que se foram e não voltam nunca mais
Geraldo Carneiro, para música de Egberto Gismonti.


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