



Dito assim, parece contraditório, um paradoxo. A primeira vista, para nós humanos, fica fácil de classificar, de sentir atração e repugna. Não é difícil imaginar, pela lembrança dos cheiros, que uma queremos por perto e a outra bem distante.
Somos mesmo assim. A flor de tão atrativa e deliciosa a nossos sentidos, domesticamos, aprisionamos, escravizamos e assistimos a sua morte com deleite, com prazer. Oferecemos o seu sacrifício às pessoas amadas, confina-mo-las a um canto de nossas casas como enfeite. Se morre, compramos outra e aquela morta vai para o lixo.
E aqui começa a nossa história. No lixo ela se resume em matéria orgânica. Certamente será consumida, uma vez que é também ela um fornecedor de energia necessária a sobrevivência de outras espécies. E transformar-se-a, fatalmente, em bosta de um animal qualquer.
Já a bosta, a nossa mesmo, produzida com as sobras de nosso alimento dos quais retiramos a tal energia, a queremos longe. Inventamos um mecanismo simplesmente genial para afastar o seu cheiro mesmo no ato da produção, ou poucos minutos depois desta, onde a milagrosa água esconde os odores dos gazes, também eles matéria, transformado em lixo por nossos corpos, ou pelas bactérias de nossos corpos, melhor dizendo.
E a bosta, na Natureza, carrega de volta à terra os nutrientes necessários à procriação, à vida. E, o paradoxo, gera inclusive flores que trazemos para casa, oferecemos aos amados, dedicamos seu sacrifício aos nossos saudosos mortos, etc…
No fundo, no fundo, é tudo a mesma merda, como se diz. Depende do contexto. Tente você, simples humano, convencer um escaravelho que as flores são melhores para se ter em casa, ou oferecer a amada, do que a bosta, principalmente se ela for de elefante! Duvido que o convença, por mais eloquente que você seja.
Peça a um escaravelho para usar toda a sua capacidade criativa para argumentar com uma borboleta, tentando convence-la de que o cheiro da bosta é melhor que o da flor. Certamente que ambas as argumentações sairão arruinadas.
Somos nós quem classificamos as coisas e as vemos como queremos e podemos ver. As coisas, como as palavras, são o que são e só valem em função do entendimento e uso que se faz daquilo.
Haverá uma verdade sim mas ela é fatual, nada mais faz que descrever eventos históricos. Mas quanto a uma verdade na classificação das coisas… bem… acho que simplesmente não existe. A classificação é mais um artifício de nossa civilização.








O sentido primário de perdão é o de remissão da culpa, ou seja, a desculpa. O mesmo pode ser dito quanto a uma dívida (que se existe é porque foi determinada uma pena apriorística) ou a uma pena (consequência da ausência do perdão enquanto tal, mas sempre passível de perdão). Porém, para que o perdão possa existir, há, necessariamente, que existir o que perdoar. Portanto, para que se possa exercer o perdão, obrigatoriamente há que existir, assumidamente, a quem perdoar.
Perdoar a quem não admite e/ou assume a culpa, pena ou dívida, equivale a coisa alguma. O julgamento público serve exatamente para determinar a culpa, para se aplicar a pena e/ou o perdão. Mas é preciso sempre, primeiramente, que exista a culpabilização, seja ela voluntária ou involuntária. É preciso existir um culpado.
A pior parte do perdão, e que mesmo o inviabiliza, é a não aceitação por parte do culpado de seu ato, ou a ausência de prova de culpa. Neste caso não há perdão possível, por mais altruísta que se seja. Mesmo o mais profundo espírito filantropo não seria capaz de perdoar aquele que diz não ser culpado. O perdão cai num vazio irresistível.
Portanto, o primeiro passo para que possa existir o perdão, é existir alguém de se julga culpado. Parta o incentivo ao perdão da atitude de quem perdoa ou de um pedido de perdão do culpado, há sempre que existir os dois lados da questão.
Porém, e concordando com Schopenhauer, acredito que mesmo ao perdoar, nunca deveríamos nos esquecer do motivo que levou ao perdão, ou seja o que levou ao perdoado a se culpabilizar, pelo simples motivo de que estaríamos desperdiçando a oportunidade de agir de forma didática, afim de corrigir o comportamento que proporcionou a atitude culpabilizável. Perdoar nunca deve ser equivalente ao esquecimento. Schopenhauer ainda vai mais além dizendo que deveríamos inclusive avaliar o valor que o culpado tem para quem perdoa, afim de decidir se vale ou não a pena correr-se o risco de ser tratado da mesma forma, ou mesmo pior, da que fomos no ato culpabilizante. No exemplo que ele se utiliza, lembra apenas de um amigo e de um servente. Segundo o filósofo, no caso do amigo, se julgarmos que não vale o preço da culpa, deveríamos simplesmente deixar de se-lo. No caso do servente, dispensá-lo.
Porém ele se esquece de um caso bem mais difícil de se julgar, que é o caso dos filhos. Eles também agem de forma a serem culpados por atitudes ofensivas, passíveis de penalização ou perdão. Neste caso, acredito, temos a tendência de desculpar sempre, mas nunca devemos nos esquecer do ato e nem devemos deixar de aplicar penas, sob o risco de os estar a incentivar a agir errado, pelo fato de não terem consequências os atos culpabilizantes.
Pelo fato de serem nossa sequência genética temos a tendência de culpar-mo-nos a nós próprios por alguma possível falha de nossa educação, ou mesmo pelo caráter geneticamente transmitido. Mas esta é uma fraqueza de nosso ser, que não nos permite ver para além de nós próprios, que não nos faz admitir nossos próprios erros, nossas próprias culpas. Teríamos que, antes de julgarmos e perdoarmos aos nossos filhos, perdoarmos a nós próprios. Mas para isto seria necessário haver a culpa e isto, seja para quem for, é muito difícil de admitir.
Há ainda um outro aspecto do perdão, este mais cruel, que diz respeito a conveniência. Sejam políticos, religiosos e outros poderosos, muitas vezes o perdão é concedido para obtenção de algum benefício por parte de quem perdoa. O mais pérfido dos perdões foram os concedidos através da venda de indulgências por parte de religiosos sem escrúpulos, que em troca de dinheiro e/ou bens, concediam a “salvação” divina aos crentes e incautos, que temiam a não obtenção do perdão de um deus imaginário que os remeteriam aquilo a que Dante imaginou, e descreveu magnificamente, que fosse o inferno.
O inferno é mesmo o ícone mais óbvio da consequência da culpa na ausência do perdão. Seria o destino daqueles que fossem incapazes de serem perdoados num julgamento final que aconteceria após a morte, onde seria feito um balanço de nossas vidas e de nossas culpas. Esta ideia, ao que parece pela documentação existente, surgiu no Antigo Egito, onde existia inclusive um livro feito especificamente para ensinar aos candidatos a morto o caminho para o perdão final, que seria percorrido imediatamente a seguir a morte. Não é preciso dizer que o tal livro era vendido e muito caro!!! Depois esta ideia foi apropriada e adaptada pela religião judaica/cristã, e desenvolvida na Idade Média, onde antes de mais nada tinha-se muito tempo. Mas isto, como já disse, faz parte do imaginário humano. Céu e inferno, alto e baixo, são expressões humanas da dualidade da qual aqui tanto falamos, e ainda falaremos, e não passam de imaginação. Em alguns casos ela, a imaginação, beira a obra prima, como é o caso da Divina Comédia.
Há ainda um outro aspecto do perdão, lembrado por Jean Jacques Rousseau, quando diz: – “Conheço muito bem os homens para ignorar que muitas vezes o ofendido perdoa, mas o ofensor não perdoa jamais.”




Voltei de férias pensando no seguinte:
Se for sugerido a uma hipotética adolescente que faça alguma coisa que seja contrária a determinação de sua, também hipotética, mãe, alguma coisa que traia a vontade ou mesmo a própria honra dela, é capaz da adolescente aceitar fazer a tal coisa, desde que veja naquilo alguma vantagem imediata, como satisfação pessoal ou afirmação dentro da tribo na qual quer se afirmar.
Porém se se pedir para a nossa hipotética adolescente para deixar o telemóvel (telefone celular) em casa por uns dias, isto seria inadmissível. – “Nem pensar!” – diria ela (a hipotética adolescente). O telemóvel nunca pode ou deve ser abandonado, largado, traído.
Conclusão: a hipotética adolescente dedica maior lealdade ao telemóvel do que à mãe. No fundo, gosta mais dele (ou do que ele representa para si) do que dela? Por que a mãe perde num jogo que joga em casa?




Uma das coisas mais maravilhosas que fizemos com a nossa civilização foi possibilitar aos nossos velhos que continuem em plena atividade ensinando, julgando, legislando, fazendo arte enfim.
Livra-mo-nos assim do destino dos velhos enquanto animais de outras espécies que, normalmente, são caçados e comidos pelos jovens predadores de outras espécies. Ainda bem que não nasci gnu!
Idade destes senhores hoje:
Jon Anderson = 65
Steve Howe = 63
Chris Square = 62
Rick Wakeman = 61
Alan White = 61
Esta musica foi feita e gravada originalmente em 1971, para o álbum Fragile. Este clip foi retirado do DVD da apresentação do grupo no Festival de Jazz de Montreux, numa exceção aberta a este fabuloso grupo que em 2003, data desta apresentação, comemorava 35 anos de carreira. Imagina se algum deles já tivesse sido devorado por um leão!
O Egberto já vai também nos 63.




É interessante notar que as histórias normalmente contam a evolução de alguém ou de alguma coisa. Hoje estive a pensar em estudar e escrever a História da Ignorância. Percebi que, neste caso, deveria contar a história de uma regressão.
Acredito que ao longo da História, temos acumulado conhecimento necessário para não permitir que grandes erros cometidos no passado, devido a ignorância, voltem a acontecer.
São inúmeros os exemplos que poderia utilizar, como da super-produção que levou à 1929, ou à ganância colonial que levou às duas grandes guerras mundiais, ou a estupidez de se inundar o mercado com moedas de ouro acreditando que com isto tornar-se-iam mais ricos, mas conseguindo tão somente a desvalorização da moeda, etc., etc., etc., e isto para falar de uma História recente. Se quisermos ir mais longe no tempo, poderíamos verificar a imagem que Aristóteles fazia da vida, hoje largamente ultrapassada, embora sua abordagem ainda sirva de método. Ou ainda as explicações fabulosas da natureza humana espelhada nos deuses do Monte Olimpo, mitologia que dá nome a grande parte de nosso imaginário.
Na medida em que nossa cultura avança, retrocede a nossa ignorância. E é a História deste retrocesso que gostaria de estudar. E principalmente estudar a resistência a absorção de cultura e a luta desesperada de algumas civilizações em manter o controle do conhecimento popular, afim de fazer prevalecer as suas crenças dogmáticas que sustentam o poder. Gostaria de estudar a abrangência do conhecimento e as formas de disseminação, particularmente o evento da Internet como meio difusor de cultura a escala planetária.
Acredito que será algo de interessante e aliciante de se estudar. E vou começar mesmo agora. Acabo de perceber, pelo som dos primeiros pássaros e pelos acanhados e sonolentos raios solares, que eu ignorava completamente que horas são! Acabo de descobrir que não dormi esta noite. Preciso descansar.




Nós, os humanos, somos uma espécie realmente única e especial. E o que nos distingue das outras espécies é a nossa História!
Mas tenham calma aqueles que pensam que estou a dizer que a evolução de nossa História, ou a História de nossa evolução, é diferente da de outra espécie. Não! O que nos distingue é a nossa capacidade de contar a nossa História. É exatamente a consciência que temos de nós próprios e de nosso papel na vida. Somos nós a única espécie capaz de distinguir e relacionar as espécies e compreender dai o papel da Natureza, a quem por vezes chamamos de Deus por seu trabalho extraordinário.
E a cada passo que damos em direção a real compreensão daquilo que somos e como nos enquadramos na vida como um todo, mais nos espantamos em perceber que a Natureza é fantástica e que o tempo é a própria essência de toda a existência. Somos sim obra do “acaso” e de uma sequência finita, e por isto histórica, mas fruto de milhões, talvez biliões, de anos de evolução. Chamo de acaso porque se não fossem determinadas sequências que surgiram aleatoriamente, poderíamos não estar cá se quer para contar (eu ao escrever) a seja quem fosse (você a ler) o que penso a respeito da vida.
E é esta capacidade de comunicar a nossa percepção do que seria a vida, que nos distingue dos outros animais. Duvido, como dizem alguns cientistas, que entre todas as outras espécies sejamos os únicos a ter consciência de nós próprios. Duvido que o chimpanzé, ou o Homem de Neandertal, não a tenha. Mas sei que ele não sabe contar para a sua descendência, de forma alguma, como ele pensa que as coisas se passam com ele próprio. Sabe até ensinar às novas gerações, isto já se prova com facilidade, elementos de uma cultura própria, de grupos sociais distintos. Mas não fazem isto se utilizando de uma linguagem articulada e muito menos por escrito! E o que é a escrita da vida? A História!
E é esta a propriedade única de nosso ramo da árvore da vida. Somos capazes de sistematizar e comunicar acontecimentos passados em formas inteligíveis para as gerações futuras, sem que seja necessário o contato com elementos possuidores deste ou daquele conhecimento que caraterize a cultura. Esta pode ser passada diretamente pela arte, pela voz e pelas letras. Hoje, pela Internet multimédia, o ser humano une-se de forma definitiva num processo de transferência de cultura sem precedentes, o que nos impele a um processo civilizatório (termo que pego emprestado com Darcy Ribeiro) infinitamente mais rápido do que era possível há apenas alguns poucos anos.
E é exatamente por sabermos disso, e por sermos entre todas as espécies aquela que carrega a sabedoria do maravilhoso trabalho da Natureza na construção da vida, que nos tornamos responsáveis pela Sua preservação. Pena é que a cada dia que passa, estejamos a dar murros no estômago da vida com mais força e capacidade destrutiva maior, ainda causados, acredito eu, pelo estágio de adolescência em que nos encontramos no que diz respeito a absorção da cultura, da tal consciência de nós próprios e de nosso lugar na Natureza.
Mas a minha esperança é que este processo se acelere ainda a tempo de levar a todos esta simples mensagem: sim, somos somente uma entre milhões de espécies de vida, estamos todos ligados familiarmente descendentes que somos de LUCA (Last Universal Common Ancestor), temos consciência disso e damos notícia à posteridade de que sabemos que somos todos irmãos e, por isso sabermos, somos responsáveis pela preservação de todas as espécies.
É filosoficamente bonito, bem sei, mas quase impossível de ser feito.




Da obra artística do ser humano o que mais admiro é quando ele consegue resumir com simplicidade, e estética, aspectos de nossa vida, por mais complexos que eles sejam. A imagem mais forte que exemplifica o que estou a tentar dizer, é a imagem da cabeça de um touro, e de tudo o que isto representa na alma do povo de Espanha, formada com o assento e o guidão de uma bicicleta, por Pablo Picasso.
Isto para dizer que no último sábado (19/06/2010) estive a conversa com uma dessas pessoas que conseguem reunir, no caso em palavras, ideias que abrem espaço na imaginação à diversas imagens. E com poucas palavras. Um génio que consegue no espaço de uma letra de música falar de aspectos primários da alma de todos os homens com simplicidade e beleza estética, rítmica e métrica.
Mas o melhor que tudo: estive a conversa com meu amigo e compadre Ronaldo Bastos (na foto saindo de dentro da cabeça de meu filho mais velho, do qual é padrinho, fotografado pelo filho mais novo), na mesa da cozinha de minha casa, o que para além de tudo, é uma honra incomensurável. Falamos muito, sobre muitas coisas, tentando fazer o pouco tempo esticar-se, relativizando-o em função da quantidade de coisas que haviam para serem ditas depois de décadas sem estarmos um frente ao outro.
Falamos de música, da História recente da Música Popular Brasileira, da qual ele é um célebre personagem, falamos de arte, de artistas, da Nana Caymmi, do Cafi, dos Rolling Stones e de outras pedras rolando, de Galileu, de Joaquin Rodrigo e do Federico Garcia Lorca (sim Ronaldo, tens razão. O nome do homem era Federico. Minha velha cabeça já me trai), estes dois últimos que emprestaram os nomes aos meus filhos.
Mas também falamos de religião, ou melhor de crenças religiosas, como não poderia deixar de ser, não fosse esta uma conversa entre seres humanos. E eu lhe contei como a minha religiosidade se manifesta.
Contei-lhe que tenho um ritual sincrético que pratico a cada vez que me ponho em viagem (e quem me conhece sabe que isto ocorre com muita frequência!). Antes de por o meu pé em qualquer estrada eu recito uma oração, por vezes silenciosamente, mas por outras em alto e bom som. Canto os versos de uma prece genérica que descreve uma imagem clara daquilo que sei que acontecerá na volta da viagem, que naquele momento começo a fazer. É que aprendi, ao longo dos anos, e depois de muitas viagens, que alguma coisa sempre se modifica no homem que viaja. Mesmo que voltemos para o ponto de partida, nunca somos mais aquele que partiu. Trazemos carregados dentro de nós, no mínimo, mais alguma memória pictográfica que toda a viagem proporciona.
Mas ela, a viagem, sempre nos acrescenta mais que isto. Ela mostra-nos outras pessoas, outras ideias, outras formas de ver aquilo que antes só conseguíamos ver com os nossos olhos, mostra-nos outros sons e cheiros. Mostra-nos paisagens que se formam (e se transformam) infinitamente a partir de poucos elementos naturais, como a água, a terra e a própria vida, que se misturam criativa e infinitamente, como as 7 notas musicais, numa sinfonia de imagens e cores que, as mais belas, guardamos para sempre conosco.
Sabendo disso tudo, e de todas estas possibilidades, o jovem Ronaldo um dia colocou na boca do jovem Milton Nascimento as palavras de minha prece. Canto eu antes de cada viagem, e já há cerca de 35 anos:
“Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol
Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes amanhã
Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol”
Pois é… Simples não é? Mas para mim, quando me ponho a viajar e a recolher mais informações sobre a vida, isso diz tudo o que preciso saber antes de ir. Diz-me que quando eu voltar nada será como antes. E isto me impele a ir de novo e mais uma vez, e mais outra vez e assim por diante, numa viagem que comecei em 1984, quando saí do Rio de Janeiro e fui para Curitiba. Daí para Portugal, onde termino a criação da prole antes de seguir viagem, mas que serve de base para curtas viagens para todos os lados na Europa, quase sempre de carro, para por o meu pé em estradas e mais estradas, até quando isto for possível, para ver ao vivo coisas como esta:

E conhecer pessoas, sabores e cheiros. Modificar-me enfim.
Obrigado Ronaldo, pela visita e pela composição de grande parte da trilha sonora de minha vida.




Partiremos da mitologia grega por ser base de nossa civilização ocidental. Para os gregos os sonhos eram obra de Morfeu (é aquele do Matrix não teve seu nome atribuído à toa), deus do sonho e que era filho de Hypnos, deus do sono, sendo estes filho de Nyx, a deusa da noite.
A própria mitologia grega é uma expressão imaginária de nossa compreensão do mundo. Sonhamos acordados, enquanto seres humanos, que sobre os montes mais altos das nossas terras estaria uma grande família de deuses que explicariam somente por sua existência, e sua história, a maioria das características da vida humana, ou o que se compreendia dela (ou imaginava dela). Desta forma foram atribuídos aos deuses, imaginativamente, nomes e heranças familiares que distinguiam nossa vida. Esta imagem da herança noturna e hipinótica de Morfeu é um exemplo claro deste mito.
É fácil acreditar nos sonhos quando eles fazem sentido. Ao ponto de proeminentes cientistas como Freud e Jung julgarem mesmo ser possível interpretar os sonhos, e compreender as pessoas a partir deles. Não estou a atribuir nenhum valor as suas afirmações mas, por enquanto, estou somente a reunir elementos.




Parece que estamos na eminência de mais uma confusão perfeitamente evitável. Ao que tudo indica estamos a beira de uma guerra entre as Coreias que seria, neste momento, mais uma pedra no sapato da já débil economia mundial.
Com implicações inclusive no Mundial de Futebol, tal acontecimento proporcionaria mais desequilíbrio financeiro nos mercados de todo o mundo. Tudo o que não precisamos neste momento é de uma guerra destas dimensões, como o foi na década de 60 do século passado. Mas parece que é inevitável. Vamos ver…


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